Finaliza o processo de assembleias paroquiais abertas com encontro em defesa do rural

O PT celebrou assembleias em Tojos Outos, Lesende, Vila Cova, Fruime e Cambonho, nas que foi unânime o rechaço à fusão com Noia e o apoio às propostas de autogoverno paroquial assemblear.

No meio-dia do domingo 18 de maio teve lugar na antiga escola da Filgueira, construída pola vizinhança e mineiros da CNT na primeira metade do século XX, a última das assembleias paroquiais abertas convocada polo Partido da Terra de Vila Cova. Durante a última semana o PT celebrou assembleias em Tojos Outos, Lesende, Vila Cova, Fruime e Cambonho, nas que foi unânime o rechaço à fusão com Noia e o apoio às propostas de autogoverno paroquial assemblear.

Enquadradas na campanha do PT paroquial, que pretende fazer das eleições de 25 de maio uma consulta popular sobre o assunto, as assembleias tinham precisamente como finalidade informar os vizinhos sobre os planos de fusão dos concelhos de Noia e Lousame e explicar as possibilidades de autogoverno das nossas paróquias.

Discutiu-se a possibilidade de uma candidatura vizinhal para 2015 na que as pessoas candidatas devem ser designadas e responder ante as assembleias paroquias.

As propostas foram bem acolhidas por todas as pessoas assistentes, onde cada quem teve a oportunidade de oferecer ideias para atuar conjuntamente frente a hipótese de que a fusão de Lousame e Noia se pudesse concretizar depois das municipais de 2015. Conscientes do abandono e desantenção ainda maiores que isto suporia, discutiu-se a possibilidade de uma candidatura vizinhal para 2015 sob a cobertura formal do Partido da Terra mas na que as pessoas candidatas devem ser designadas e responder ante as correspondentes assembleias paroquias.

Organizou-se um ato pola defesa do rural, convocada na Galiza polo Partido da Terra de Vila Cova.

Aproveitando a celebração deste último encontro no dia 18, organizou-se um ato pola defesa do rural, convocada na Galiza polo Partido da Terra de Vila Cova e que secundaram no mesmo dia outras organizações em diversas partes da península. O ato finalizou com a leitura do Manifesto “O futuro é rural: defende-o!” que está disponível na página web do Partido da Terra.

Lousame no debate de candidatas ao Parlamento Europeu

A número 2 da candidatura do Partido da Terra ao Parlamento Europeu e vizinha de Vila Cova Iolanda Mato irá participar este 15 de maio no debate através de Twitter com outras 10 cabeças de lista. O debate começará às 20:30 utilizando o hashtag #DbtEU14 e será moderado por Juan Aguilar, lançando-se tanto perguntas dos tuiteiros como do organizador. A informação completa pode encontrar-se aqui.

Para além de Iolanda Mato polo Partido da Terra, participam também do debate os candidatos de Equo, Piratas, Partido Andalucista, Escanos en Branco, PACMA, Ciudadanos, Proyecto Europa, Els Verds e Recortes Cero. Na sua intervenção Iolanda Mato irá defender a formação duma Europa realmente solidária, integradora, democrática e sustentável assentada na soberania e liberdade das suas comunidades locais governadas mediante a democracia direta assemblear, colocando o exemplo de Lousame como território rural agredido polas políticas urbanitas que negam a sua personalidade e autogestão.

Esta é mais uma oportunidade de dar a conhecer em todo o Estado o trabalho do Partido da Terra de Vila Cova, que durante os dous últimos anos fixo bandeira da campanha contra a proposta de que Noia anexione Lousame e em favor do autogoverno paroquial, e que quer converter as eleições do 25 de maio num referendo popular sobre esta matéria. Desde o Partido da Terra espera-se que esta postura sirva como referência para os milhares de paróquias e comunidades rurais que vem como o mundo rural esmorece da mão duma administração empenhada em liquidá-lo.

No dia 16 de maio o Partido da Terra celebrará também uma assembleia vizinhal na antiga escola de Cambonho (às 20:30) e um ato no domingo 18 na antiga Escola da Filgueira (às 12:00), enquadrado numa campanha internacional de mobilização polo mundo rural e no que será leitura ao manifesto “O futuro é rural: defende-o!”. Para esse acto conta-se com a participação de diversas organizações convidadas assim como doutros partidos da terra paroquiais, dentre eles o do Pico Sacro (em Boqueijão), que também promoveu nos últimos anos a mobilização contra o projeto para que esse município fosse anexionado por Santiago.

Assembleias Paroquiais Abertas: 10, 11, 12, 16 e 18 de maio

Este ano a cita eleitoral ao Parlamento Europeu em Lousame promete ser interessante frente à apatia habitual por uma instituição que nos diz mais bem pouco. E é que o Partido da Terra de Vila Cova, que durante os dous últimos anos fixo bandeira da campanha contra a proposta de que Noia anexione Lousame e em favor do autogoverno paroquial, quer converter as eleições do 25 de maio num referendo popular sobre esta matéria.

Para isso, é a única organização política que nesta campanha solicitou locais para celebrar actos eleitorais no município, prova do pouco interesse e atenção que os partidos políticos profissionais manifestam pola vizinhança das nossas paróquias. A campanha será intensa, com seis actos programados durante uma semana:

O Partido da Terra convocou assembleias abertas em todas as paróquias de Lousame (exceptuando Tálhara, onde o município não habilitou um local pechado), nas que se pretende expor os motivos para opor-se a que Lousame perda o seu estatuto municipal e defendendo um novo modelo de autogoverno paroquial assemblear em democracia direta, oposto à lógica dos partidos de políticos profissionais. Também finalizou a cartelaria de campanha (feita à mão na casa pois o orçamento de campanha é de zero euros) que pretende chamar a atenção dos vizinhos sobre este problema.

lousameatos

As vizinhas devem conhecer a postura sobre este tema dos grupos políticos presentes no município e mandar-lhes uma mensagem clara“, afirma a N.º 2 da candidatura ao Europarlamento e integrante do Partido da Terra de Vila Cova, Iolanda Mato. O PT apresentará o voto à sua candidatura em Lousame como um voto de rechaço decidido à fusão e a favor das fórmulas de democracia paroquial assemblear.

Para além das assembleias informativas, o Partido da Terra tem convocado para o domingo 18 de maio um ato na velha Escola da Filgueira, enquadrado numa campanha internacional de mobilização polo mundo rural e no que será leitura ao manifesto “O futuro é rural: defende-o!”. Para esse acto conta-se com a participação de diversas organizações convidadas assim como doutros partidos da terra paroquiais, dentre eles o do Pico Sacro (em Boqueijão), que também promoveu nos últimos anos a mobilização contra o projeto para que esse município fosse anexionado por Santiago.

Satélites fora de órbita

Parece por vezes que tudo serve para dar batalha ao partido do governo ou apresentar-se como “salva-pátrias”.

Seica há nalgum lugar uma lei física não escrita segundo a qual os partidos políticos devem operar como forças gravíticas que mantêm na sua órbita múltiples satélites, organizações cautivas dos seus desígnios, estratégias e lideranças. Por vezes a força gravitatória é um aparato, uma elite; por vezes é uma figura messiânica a que gera a órbita heliocéntrica. Numa dessas raras noites estreladas que houve esta primavera deu para ver aqui na aldeia, longe das luzes da urbe, vários desses satélites na sua trajetória típica.

Um governo autonómico anuncia a suba do cânon de uso municipal duma empresa pública de incineração de resíduos. Para encher-se de razão, um dos partidos da oposição decide formar entente com uma multinacional espanhola que tem a concesão duma planta de tratamento de resíduos, também pública, mas concorrente da anterior. O líder do partido faz uma visita mediática à planta com um amplo séquito, à qual se seguem as de outros muitos cargos públicos, que são guiados polas instalações por pessoal da contrata, de um grupo ecologista e de um sindicato, ambos afins ao partido, apresentando-as como modélicas.

Semanas depois, um município governado por esse mesmo partido adere à mancomunidade titular da planta e, ipso facto, o seu alcaide recebe do mesmo grupo ecologista o seu prémio anual como reconhecimento a essa façanha. Simultaneamente, o grupo ecologista em questão faz-se com um programa gerido pola planta para vender as bondades do sistema entre o público. A empresa espanhola está ameaçada de perder o contrato por incumprir as suas obrigas de processamento (manda para o verdedoiro 59% do lixo que recebe), mas uma alteração da composição do grupo de municípios poderia eventualmente mudar a situação em favor da empresa.

As críticas à realidade da planta, bem conhecida pola vizinhança, e as propostas para reconvertê-la ao modelo “porta a porta” adatado ao contexto circundante (que poderiam elevar a taxa de reciclagem por acima de 90%) feitas por um coletivo da paróquia na que se encontra situada, são atacadas desde o entorno do comité de empresa (controlado polo sindicado afim), chegando a negar obviedades como que existe um vertedoiro, que existe um problema de contaminação de águas e mesmo espalhando-se entre as trabalhadoras e vizinhas do município no que está a planta que o coletivo crítico deseja que todo o mundo fique na rua.

Como esta e outras muitas situações evidenciam (qualquer diferença com a realidade é puro acaso), parece por vezes que tudo serve para dar batalha ao partido do governo ou apresentar-se como “salva-pátrias”. Um dia o partido de oposição pretende fazer ver que está contra a minaria a céu aberto num conhecido megaprojeto, onde se está a aplicar a legislação que esse mesmo partido de oposição aprovou quando estava no governo, e no dia seguinte sai-se a apoiar no parlamentinho uma mina a céu aberto ilegal como a que uma conhecida cementeira opera do outro lado do País sobre importantes vestígios arqueológicos, numa concessão ilegal outorgada por eles próprios poucos anos atrás.

Quando a engrenagem satelitar se utiliza para difamar e manipular os medos das pessoas, simplesmente por se proporem outras possibilidades está-se saindo da órbita para entrar em trajetória de colisão.

Outro exemplo: criticar há poucos meses à mesma multinacional responsável daquele megaprojeto por usar um sindicato amarelo importado na defesa dos interesses corporativos, e colocar agora um grupo ecologista e uma central sindical afim ao serviço de uma outra multinacional social e ambientalmente nefasta, para carregar contra qualquer organização que tenha a mais mínima crítica ou para lavar a cara a uma gestão de resíduos que está bem longe do que muitos coletivos ecologistas levam reclamando durante anos.

É certo que o modelo dessa planta é “melhor” do que o da grande incineradora (um “mal menor” talvez), mas é demencial apresentar como sustentável um sistema no que camiões do lixo devem deslocar-se 120 km para ir e voltar cada dia desde a sua origem ou no que 59% do lixo que entra no monte duma pequena aldeia acabe soterrado num vertedeiro, com o consequente impacto para os aquíferos e os solos. Quando a engrenagem satelitar se utiliza para difamar e manipular os medos das pessoas, simplesmente por se proporem outras possibilidades (como uma adaptação autóctone do “porta a porta” ou a compostagem comunitária), está-se saindo da órbita para entrar em trajetória de colisão. A aposta interessada por modelos desastrosos, apresentando-os como modélicos para o País simplesmente por serem conjuntaralmente úteis numa infantil estratégia de confrontação com o partido do governo na que o fundo dos problemas é sempre irrelevante, só ajuda a colocar mais entraves num caminho para um cenário pós-petróleo que é suficientemente complicado de por si.

Abandonando velhas leis da física partidária, é preciso deixar de pretender que sejam os movimentos sociais os que gravitem ao redor dos partidos pois, no atual contexto, as órbitas só tenderão à colisão com a força gravítica, contribuindo para a destruição tanto do partido como dos movimentos. Os partidos, se é que têm ainda algo para oferecer, podem sim articular muitas das suas propostas por volta do que propõem outros movimentos (ambientais, sociais, vizinhais, culturais, linguísticos, etc.), mas sem pretender o seu monopólio ou exclusividade. Um exemplo são as Iniciativas Legislativas Populares promovidas polos partidos através dos seus satélites que não só desacreditam ainda mais a já teatral fórmula da iniciativa popular, mas sementam frustração entre aquelas pessoas que se movimentaram ativamente em torno a uma proposta cujo fim oculto é apenas o de fracassar, como tantos outros movimentos de cara à galeria, para maior “glória” da oposição.

A instrumentalização partidária dos movimentos sociais (efetiva ou em grau de tentativa) não é um fenómeno exclusivo da constelação galaica. A atitude de partidos espanhóis e os seus subsidiários “de províncias” em movimentos como o 15M, a PAH ou as recentes “marchas da dignidade”, evidencia, com diversos graus de sucesso, a extensão do mesmo princípio. Sirva como exemplo simbólico e recente a apropriação ilegal que um desses partidos espanhóis fez do “sol sorridente” antinuclear nos seus cartazes na Galiza, procurando “enverdecer” o seu fulminante industrialismo desenvolvimentista. Mesmo que a organização dinamarquesa OOA Fonden, responsável pola proteção e bom uso do símbolo, tenha denunciado formalmente este uso ilegal advertindo o citado partido da proteção específica estabelecida para que nenhuma organização política se tente apropriar dele, a lógica da vampirização dos movimentos aplica-se mesmo nos seus símbolos mais notórios.

A alternativa passa por transformar o conceito da política para que todas as pessoas sejamos politicamente ativas assumindo a nossa própria quota de responsabilidade através do autogoverno e iniciativa assemblear.

Por trás deste problema endémico está a lógica da representação própria da política profissional parlamentarista, na que distintos partidos concorrem por serem os representantes políticos da cidadania. A alternativa passa por transformar o conceito da política para que todas as pessoas sejamos politicamente ativas assumindo a nossa própria quota de responsabilidade através do autogoverno e iniciativa assemblear. O de votar cada 1825 dias e botar-lhe a culpa a outros durante o resto do tempo já não serve, como bem sabem as pessoas que participam de jeito independente nos movimentos sociais e camadas cada vez mais amplas da população. Isso escrevia o libertário galego Ricardo Melha em 1909, num artigo que ainda hoje guarda toda a sua vigência.

Texto de Joám Evans Pim, membro do Partido da Terra de Vila Cova.