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Sérvia: vertedoiro do País?

A capacidade limitada das instalações de Sérvia não pode dar abasto ao lixo de mais municípios.

O aumento de 34% nas quotas do sistema de processado de resíduos de Sogama provocou uma avalanche de solicitudes à Mancomunidade da Serra do Barbança, titular da planta de Sérvia. Como esses municípios não querem pagar mais, pensam agora que mandar o seu lixo para Vila Cova é um jeito de solucionar o problema.

A capacidade limitada das instalações de Sérvia (feitas inicialmente para 3 municípios e servindo hoje a 9 com 80.000 habitantes) não pode dar abasto ao lixo de mais municípios, polo que se leva tempo considerando ampliá-las, com as previsíveis consequências ambientais e de saúde para os vizinhos das aldeias circundantes. Ademais a planta sitou-se próxima dum polvorim pré-existente cujo translado, decidido judicialmente, terá que ser pagado por nós: os vizinhos. Mais uma trapalhada dos governos municipais, preocupados apenas polos interesses e lucros particulares.

A alternativa não passa porque todos queiram meter o lixo na nossa paróquia.

No Partido da Terra de Vila Cova questionamos esse modelo de tratamento de resíduos, nos que o lixo de milhares e milhares de pessoas vão parar a uma só aldeia privada de  poder de decisão, com enorme gasto de energia e grande custo para os usuários. O próprio sistema, num cenário de declive energético, tem os dias contados e está da nossa mão procurar alternativas antes de que o lixo nos chegue aos focinhos (pois o seu cheiro já leva tempo chegando!).

A alternativa não passa porque todos queiram meter o lixo na nossa paróquia. É necessário estabelecer a responsabilidade dos produtores, transformadores, distribuidores, comercializadores e consumidores sobre os resíduos gerados em qualquer ponto da cadeia de produção e consumo. No Partido da Terra de Vila Cova consideramos que isto passa por promover a produção e distribuição a granel, a redução na origem, a reutilização, a recolhida seletiva, a reciclagem e alternativas mecânicas e biológicas para o processamento de resíduos como a compostagem ou a digestão anaeróbica. E podemos começar polas nossas aldeias.

Além disso, os vizinhos e vizinhas de Sérvia, que são os que mais sofrem as consequências deste modelo de gestão, devem ter voz e voto no atual funcionamento do sistema e direito a serem compensados por qualquer externalidade negativa que sofram no dia a dia derivado da instalação da planta nas proximidades da aldeia.

Fotografia: Xornal Certo