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Guia para o descenso energético

A mudança de modelo energético implica um câmbio social e político, onde a cooperação entre vizinhos e a auto-organização comunitária serão vitais.

O Partido da Terra vem de colaborar na publicação do Guia para o descenso enerxético, um livro editado pola Asociación Véspera de Nada. Considerando que o atual aumento dos preços da luz e combustíveis se irá incrementar irreversivelmente com o chamado Teito do Petróleo (a fim da era do petróleo barato e abundante), alterando completamente o funcionamento da sociedade moderna, que depende quase totalmente nesta energia, pareceu-nos necessário e urgente divulgar esta problemática na nossa paróquia através duma apresentação do Guia que se irá organizar em breve e que procura contribuir para que enfrentemos o desafio do Teito do Petróleo como comunidade.

O Guia achega uma análise que trata de nos advertir dos profundos impactos que vai sofrer a nossa sociedade e modo de vida e proporciona uma série de conselhos e medidas para mudar-mos como sociedade para um novo modelo que não se sustente nos combustíveis fósseis. Dado que não há energia equiparável ao petróleo que poida sustentar uma sociedade do consumo como a atual, teremos que buscar as nossas próprias alternativas no rural, pois só desde o rural e olhando para o local é viável um novo modelo sem petróleo. A mudança de modelo energético implica um câmbio social e político, onde a cooperação entre vizinhos e a auto-organização comunitária serão vitais para enfrentar esta nova era que já chegou.

Capa do Guía para o descenso enerxético, editado pola Asociación Véspera de Nada.
Capa do Guía para o descenso enerxético, editado pola Asociación Véspera de Nada.

Roubo elétrico

Temos direito à nossa soberania energética e a que cesse o espólio e roubo dos recursos da paróquia.

O preço da luz leva subido mais de 100% nos últimos 10 anos. Isto é: pagamos o duplo de luz hoje do que em 2004.
As empresas concessionárias de energia na paróquia podem estar bem contentas, pois maximizam-se os seus lucros graças à nossa ruína. A concessão da central eléctrica Salto de Vilacova, S.A., que começou em 1920, actualmente estendida até o ano 2061, tem uma produção anual de 3.440 Mwa/ano. Os dous aerogeradores existentes na paróquia produzem 5.100 Mwa/ano, com compensações económicas ridículas. A isto soma-se o novo projeto de central no rio Vila Cova, em Lesende, de Norvento Hidráulica, S.L.U. para uma produção semelhante à das Pías; assim como os planos de cogeneração eléctrica de FCC na planta de Sérvia, que pagamos com os quartos de todas. A produção eléctrica atual da paróquia é de 8.590 Mwa/ano e poderia ser em breve superior aos 12.000 Mwa/ano. Para ter uma ideia do que significa isto há que ter em conta os seguintes dados:

  • O consumo anual médio duma casa qualquer da paróquia de Vila Cova é de 3 Mwa/ano, o que significa que todos os fogares da paróquia consomem 300 Mwa/ano.
  • O excedente de produção energética da paróquia é actualmente de 8.290 Mwa/ano.
  • O preço do Mwa eólico no mercado é de 75/Mwa, de modo que esse excedente tem um valor de vários centos de milhares de euros, provavelmente mais de 600.000 euros/ano.

As comunidades vizinhais e paroquiais temos todos os entraves para levar adiante projetos de autoabastecimento elétrico.

As leis blindam este roubo elétrico. As paróquias e aldeias nas que se produzem estas ingentes quantidades de energia não têm qualquer poder de decisão sobre as concessões nem a capacidade para levarem adiante os aproveitamentos diretamente e usufruírem dos seus recursos naturais. Ameaça-se às aldeias com a expropriação ou diretamente expropriam-se. Os grandes grupos energéticos controlam o poder político e conseguem leis à medida das suas necessidades. Em comparação com os grandes grupos energéticos que contratam ex-políticos ou os compram diretamente, as comunidades vizinhais e paroquiais temos todos os entraves para levar adiante projetos de autoabastecimento elétrico, utilizando as velhas infraestruturas comunitárias como os moinhos hidráulicos ou novas tecnologias como a solar e a eólica.

Desde o Partido da Terra de Vila Cova queremos acabar com esses entraves à autoprodução e recuperar também para o âmbito de decisão paroquial e comunitário as concessões energéticas existentes e facilitar que tanto particulares como aldeias possam autoproduzir a energia que precisam vendendo à rede qualquer excesso. Temos direito à nossa soberania energética e a que cesse o espólio e roubo dos recursos da paróquia: todo megawátio produzido deve passar pela decisão soberana da comunidade.